fatos surpreendentes e desnecessários


pena dó, pena dor

Posted in Uncategorized por camilak em setembro 20, 2008

De entre as plumas do travesseiro, rompendo grandes distâncias no tecido branco, ouvi sua voz. Sussurro, a princípio. Depois, clara e rouca, como sempre gostei. Confessava-me ao pé do ouvido que furara os olhos do passarinho da infância só pra ver vazar lágrima de olho cego. Que se arrependeu e passou os dedinhos pequenos na penugem macia pra agradar no depois. O bicho convulsionava na sua mãozinha sem entender sentido em tão grande negrume doído. Comovi-me com os silêncios longos e a dificuldade de achar palavras amorosas o suficiente para tanta memória. Fui, ainda deitada no despertar, passarinho do teu segredo. Acordei cega.

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